Ainda que o golpe seja um clássico conhecido e venha sendo praticado há muitas décadas, não são raras as suas vítimas nos dias de hoje, principalmente entre os idosos.

Não existem estatísticas precisas sobre esta prática que é enquadrada como crime de estelionato, principalmente porque as pessoas que são lesadas, diante da vergonha, muitas vezes não reportam a ocorrência para a polícia.

No roteiro, o golpista, que geralmente é uma pessoa com aparência muito humilde, declarando-se analfabeta ou, ainda, com trejeitos de uma pessoa vinda do interior, pede ajuda à vítima dizendo possuir um bilhete premiado.

A vítima acaba envolvida pela “fragilidade e ingenuidade” deste golpista.

Normalmente, enquanto conversam, outra pessoa bem vestida se aproxima e oferece ajuda. O primeiro mostra-se desconfiado e pede garantias da idoneidade daquelas pessoas. Outras vezes, simplesmente propõe lhes dar um percentual do prêmio se os dois o ajudarem.

Se a vítima cair nesta conversa,  seja motivada pelo simples desejo de ajudar, como também, pela própria ganância de trocar parte (ou até mesmo o total!) de suas economias por um prêmio de loteria, sacará o dinheiro da própria conta bancária e o entregará ao estelionatário que, após inventar qualquer desculpa, desaparece com seu comparsa sem deixar rastros.

Em curto espaço de tempo, atendi dois casos onde as vítimas buscavam reparação pelo prejuízo material. No mais recente, uma idosa passou o dia todo em companhia dos estranhos sem se dar conta de que se tratava de um golpe.  Efetuou saques em diversos bancos e agências, amargando um prejuízo final de aproximadamente R$ 40.000,00.

O fato é que depois do crime ser consumado, fica muito difícil identificar os criminosos e, consequentemente, em relação aos danos materiais, quase nada pode ser feito pela vítima.

Não há nem mesmo como responsabilizar as instituições bancárias por negligência ou insegurança na prestação de seus serviços, como, desesperadamente, pretendem algumas das pessoas que foram lesadas por esta fraude.

O entendimento dos Tribunais é de que o banco não contribui para a sua prática que, aliás, tem início fora de suas dependências. Não sendo de sua responsabilidade, também, prevenir que seus clientes, que efetuam os saques por livre e espontânea vontade, sejam seduzidos por estelionatários nas vias públicas.

 

Advogada Especialista em Processo Civil, mãe, filha, esposa, mulher independente, defensora dos direitos e garantias individuais, apaixonada por gatos, apreciadora de boa culinária, viajante de plantão e louca por organização.